segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Câmara de Niterói aprova projeto de OSs de forma irregular e antidemocrática

Vereador Renatinho (PSOL) sugere cancelamento da sessão
Clique aqui para ver o vídeo.
Em uma sessão com portas fechadas e realizada fora do plenário, a Câmara de Vereadores de Niterói aprovou, nesta quinta-feira (29-12), o polêmico projeto do prefeito Jorge Roberto Silveira (PDT) que transfere a gestão de diversas áreas da administração municipal, como saúde, educação, esporte, cultura e assistência social, às Organizações Sociais (OSs), instituições privadas que firmarão convênios com o município. A Mensagem Executiva (27/2011) que, inclusive, sequer garante publicações em Diário Oficial da prestação de contas do dinheiro transferido – como os custos, por exemplo, de profissionais para o programa Médico de Família – foi enviada à Câmara no dia 22 de de dezembro e não foi discutida em audiências públicas. Os vereadores Renatinho (PSOL), Waldeck Carneiro e Leonardo Giordano (PT) se recusaram a participar da votação, transferida para o auditório da Casa e realizada a portas fechadas pela base governista depois que manifestantes ocuparam sob protesto o plenário Brígido Tinoco.
População argumenta com os políciais
que a manifestação é pacífica
Treze vereadores aprovaram a matéria, depois que o presidente da Câmara, Paulo Bagueira – que, por coincidência ou não, é do mesmo partido que o ex-presidente do Legislativo, Comte Bittencourt (PPS), que impediu a presença de pessoas nas galerias para a votação do Plano Urbanístico Regional (PUR), em 2002 – transferiu os trabalhos para local fechado. A Polícia Militar impediu inclusive a circulação dos funcionários nos acessos ao auditório e apenas jornalistas autorizados pelos vereadores puderam assistir a sessão, tendo sido desautorizado o acesso de outros.
Presidente da Câmara, Paulo Bagueira (PPS), tranfere a
sessão para o auditório 
do segundo andar, a portas fechadas 
Pela manhã, a Mesa Diretora foi alertada pelos vereadores de oposição que não havia condições de votar a mensagem sem observar prazo para convocação de sessão extraordinária. O presidente, depois de tentar resistir ao regimento, suspendeu a sessão para às 17 horas. Renatinho (PSOL) chegou a apresentar um requerimento para realizar audiência pública sobre a matéria. Mas o pedido foi votado e rejeitado pela maioria. Na sessão das 17h, houve novas quebras de regimento, a Mesa Diretora foi alertada de que não poderia votar o Orçamento do Município para 2012 na mesma sessão em que outra matéria estivesse em pauta, e que portanto a sessão para a votação das OSs deveria ser remarcada. Mesmo infringindo o Regimento Interno, o presidente iniciou a votação da mensagem. Neste momento, diante da arbitrariedade da Mesa Diretora, a população presente nas galerias se revoltou e iniciou a ocupação pacifica do plenário. A PM então tentou retirar os manifestantes e buscou convencer também o presidente Paulo Bagueira a cancelar a sessão, o que foi negado pelo mesmo.
Alguns assessores e até jornalistas foram
barrados nos corredores de acesso ao auditório
Logo após o cancelamento da sessão no plenário Brígido Tinoco, a população presente e os vereadores de oposição formularam um abaixo-assinado para anular o processo de votação no auditório Cláudio Moacir. A sessão fechada também aprovou a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2012 em uma sessão extraordinária convocada em total conflito com o Regimento Interno da Casa.

3 comentários:

arqpita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
SINTUFF disse...

Colocação e análise muito felizes, companheiro Luciano.

arqpita disse...

A oligarquia Silveira consolida-se em Niterói. O poder de Jorge Roberto Silveira, hoje, alcança seu ápice através de coligações com empreiteiros, especuladores e uma classe-média lumpem que vê possibilidades de lucro imediato com a venda de imóveis e terrenos. Na outra ponta, o prefeito faz acordos e alianças com o reitor da UFF (a compra do cinema Icaraí e as vias Orla e 100), com lideranças comunitárias ansiosas de cargos públicos e partidos tanto conservadores (PMDB) quanto pseudo-progressistas e de esquerda (PDT e PT). Os sintomas desse enorme atraso acabam por fim comprometendo futuras gerações: a educação, a saúde e o transporte em Niterói encontram-se praticamente privatizados. Os colégios mais conceituados do município pertencem à Igreja católica, preparando jovens para futuros governos elitistas e conservadores. Não há uma única emergência funcionando nos hospitais públicos. E o trânsito vitima por morte ou por estresse os trabalhadores. É o governo do atraso para os trabalhadores, mas do enriquecimento para Jorge Roberto e seus aliados. Mais do que nunca, é preciso despertar a população dessa treva.